![]() Jóia da 14a. Semana de 2.010 Em Brasília, dia primeiro desse mês, com uma folga em minha agenda decorrente do cancelamento de um compromisso, sai para caminhar pela cidade, queria rever alguns locais que conheço desde antes da inauguração da cidade. Sem pressa, resolvi que, saindo do hotel - desta vez no Setor Norte -, chegaria a pé na Praça dos Três Poderes. E lá fui eu encontrando minhas lembranças... São muitas, nem sei quantas, as vezes que vim à Brasília nesses cinquenta anos. Agora, nessa crônica, vou registrar apenas as tangencias com o dia de sua inauguração. Da marquise do Hotel, procurando um enquadramento especial, daqueles que os transeuntes comuns não percebem, fotografei a Torre de TV. Ela não estava ali em 1960. Foi construída depois. Outra foto dos hotéis na Asa Norte tem a mesma observação: foram construídos depois. A Rodoviária de então, hoje terminal de Ônibus Urbanos, estava em construção. Biblioteca Nacional. É a última das obras monumentais da cidade. Pouco mais adiante a Catedral. Hoje embrulhada para uma restauração. Quando da inauguração da cidade já havia o esqueleto de concreto. Nenhum vitral. Os prédios dos Ministérios não eram tantos. Nas cercanias do último deles, antes do Itamarati, estava estacionado um moderno carro de reportagens da TV Globo. Foi então que minhas reminiscências e saudades chegaram ao auge. Era trabalho meu, lá no ano de 1960, coordenar uma das equipes de TV dos Diários Associados que transmitiu as festividades da inauguração. Eram dois os veículos: o da TV ITACOLOMI e o da TV Brasília. Recentemente, no Memorial JK, vi várias fotos em que um desses veículos aparecem. Foi quando me senti peça de museu... “O carro da Itacolomi sou eu!” gritou no tal instante um de meus “macaquinhos”. Pouco mais adiante, procurei repetir uma foto do prédio do Congresso com o mesmo ponto de vista de uma foto tirada naqueles dias. (Em casa, horas depois, comparando-as fiquei impressionado: não havia variação maior que um metro!) As bandeiras dos estados, em ordem alfabética, estavam um pouco alteradas, afinal em 60 havia apenas 21 estados. Na grande praça cívica dos Três Poderes, em reforma, vi alguns operários. Não havia quase nenhum turista. Foi quando uma idéia, que foi tomando corpo de mancinho gritou na praça deserta: --- Roubaram a festa de Brasília! Meus olhos marejaram. Eu reagi! Resolvi que farei minha comemoração, mesmo que sozinho!
* * * * * Não fiquei mais tempo por ali. O horário do voo para Belo Horizonte resgatou-me ao “agora”. --- E agora José?
 
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