Jóia da 36a. Semana de 2.007


Chá de panela


Amigos estrangeiros ficaram curiosos quando, contando minhas atividades mais recentes, ou a agenda dos próximos dias, lhes falei de “Chá de panela”.

Não sei a origem nem a abrangência desse costume. Sucintamente: é o encontro de um casal prestes à cerimônia do casamento com seus amigos mais chegados. Ocorre poucos dias antes da data solene. O objetivo é equipar a nova casa com os apetrechos menores, aqueles do dia-a-dia. Cada convidado é escalado para um item: panelas, utensílios de cozinha e limpeza, etc. etc.     Trazem também alguns comestíveis e bebidas para “abastecer” o ágape.

Na reunião resultante, os irmãos ou amigos mais chegados põem os noivos na berlinda e fazem inúmeras brincadeiras e inquisições. Toma-se cuidados para não acontecer impropriedades, invasão de intimidade ou coisas ofensivas. Numa ou outra que participei divergi um pouco da abordagem de alguns temas, atribuo ao descompasso entre gerações. Isso – conflito das gerações – é eterno. Deixa p’ra lá!

Outro pormenor do “Chá de panela” é a exibição de fotos dos noivos, desde as mais antigas que possuem. Aquelas clássicas de batizados, “peladinhos aos seis meses”, festas do jardim de infância, os primeiros anos de escola... Depois as que documentam o encontro entre os dois. Nas adjacências desse painel se ouvem histórias incríveis, contadas pelos coadjuvantes. É nesse lugar que gosto de permanecer uma vez que ajuda muito ao escritor a construir tramas para um personagem de ficção.

Há coisas preciosas, praticamente sem custos, que não valorizamos. É preciso um alerta vindo não se sabe de onde para nos despertar.

Chá de panela!
Encontro de amigos!
Jóia da vida.



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