Jóia da 30a. Semana de 2.005


A proximidade dos fatos


Por circunstancias fortuitas estive sentado por mais de uma hora ao lado de um líder político conhecido nacionalmente. Estávamos a bordo de uma aeronave que nos trazia de volta para casa, trocamos cumprimentos, não conversamos, ele estava preocupado em se informar, trazia consigo uns cinco jornais de grande circulação e, aparentemente, observava os detalhes, diferentes em cada um dos noticiosos. Concluída sua análise, com feição carregada, procurou refugio nas palavras cruzadas... Em momentos como o que o país vive os políticos preferem o silêncio...

Lembro de algumas palavras dos jogos que ele resolvia: gigantesco, "dordecabeça", "aosabordamare"...

Eu, apesar de preocupado com a conjuntura nacional estava satisfeito com o andamento dos projetos que participo diretamente, um deles em momento alvissareiro, fiquei imaginando como cada um de nós vê e vive um fato, tendo como primeira medida a distância que estamos dele. Quanto mais próximos, mais nos envolvem e mais se agigantam.

Na madrugada do domingo, como para comprovar minha tese sobre como a proximidade dos fatos nos assusta, o alarme da casa disparou. Todos se levantaram. Acendemos as luzes externas, avaliamos a circunstâncias e, depois de trocarmos opiniões, ainda que grilados, voltamos para a cama.

Com as luzes do dia fizemos uma verificação no sistema de alerta, encontramos a razão de todo o transtorno: uma pequena lagartixa havia causado um curto circuito... Na madrugada aquele bichinho assustou mais que um jacaré...

Mas não é por estarmos distantes que, vendo um jacaré podemos agir como ele fosse lagartixa.


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