Jóia da 51a. Semana de 2.004


Ondas de memória


Quando passamos por uma onda - de qualquer coisa -, é normal nos recordarmos das iguais que a precederam.

Eu havia chegado cedo para a cerimonia de casamento da filha de uma prima e, enquanto aguardava, fiquei lembrando de algumas outras bodas que assisti. De longe, lá de minha infância, a imagem de uma noiva, prima de meu pai, passou como um relâmpago; muitas outras vieram em seguida, como visitando rapidamente um álbum preparado apenas com essas imagens.

Do meu casamento não "revi" apenas uma foto, revi fragmentos de um filme. Dos de meu filho e filhas também.

Depois, analisando o belo cenário que continha a capelinha e o caminho que levava a ela, distingui, com destaque, as tochas que marcavam a alameda. Intuí que eram "artes" do pai da noiva - um artesão de mãos cheias. Fantasiei os seus pensamentos enquanto as construía:

No momento que selecionava os bambus pode ter recordado a alegria preocupada de quando soube que a filha havia sido concebida... Limpando o material sua cabeça trouxe de volta as fraldinhas e até mesmo o cheiro que sentiu.   Dos entalhes para construção dos archotes ecoaram as reprimendas feitas na infância dela e as recomendações para a adolescente.   Um rosário de imagens, de agora e de ontem! É quase certo que marejadas em lágrimas...

As cordas de um violino me trazem de volta ao presente.

O Bolero de Ravel foi fundo musical para a entrada da noiva. Deslumbrante...

E aconteceu a cerimonia. Para os noivos o ponto máximo de suas vidas...

Para cada um que esteve lá uma lembrança importante. Cada qual na sua própria escala.

Ondas de memória... Tesouros de lembranças...


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