![]() Jóia da 32a. Semana de 2.004 Trafegando por uma estrada secundária, sem pressa, dirigia a baixa velocidade, o que possibilitava desfrutar melhor a paisagem. Na frente uma montanha, velha conhecida, me fez lembrar meu pai. A rodovia, agora pavimentada, trouxe a imagem de meu irmão mais velho. Ele costumava andar por ali, ainda no tempo da poeira... Saudade boa! Quando cruzamos com uma carroça cheia de capim, minha filha, companheira nessa viagem, comentou que aquela imagem a remetera a uma terra rústica e distante, visitada há alguns anos. Contei, então, que eu também estava ruminando algumas lembranças, e falamos sobre elas. Observei, também, que para ela, bem mais viajada que eu, as imagens fazem retornar lugares distantes enquanto que para mim, bem mais vivido que ela, os traslados acontecem no tempo. Um papo de mais de meia hora abordando assuntos agradáveis. Ainda dirigindo, não longe dali, uma alameda de eucaliptos orquestrou uma melodia: A casinha da vovó Cercadinha de cipó O café tá demorando Com certeza não tem pó! Chegando ao nosso destino encontrei uma amiga e por transversas das conversas acabamos falando desse mesmo assunto: as imagens que nos trazem reminiscências. Foi quando adicionamos mais um ingrediente importante: a capacidade que cada um nós tem em filtrar as recordações. As boas e as más, as tristes e as alegres, as lúgubres e as agradáveis... Todos os tipos são iluminados, seja por imagens, sejam por sons, por temperatura, tato ou perfume, a nós é dado o talento de nos fixarmos na que quisermos, a escolha é nossa.
 
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