10a. semana de 2001 Uma das coisas que marcou mais profundamente o meu aprendizado foi quando, criança ainda, acompanhei o nascimento de uma ninhada de pintinhos. Minha mãe, percebendo uma das galinhas no chôco, mostrou-me o ninho, os ovos e contou-me o que aconteceria dentro de 21 dias. A partir daí, diariamente, e várias vezes por dia, acompanhava o acontecia no ninho. Aos meus olhos não acontecia nada alem da extrema paciência da galinha em permanecer no mesmo lugar defendendo-o de qualquer coisa que se aproximasse. Pedi explicações porque os ovos não estavam crescendo nem mudando de cor como acontecia com os tomates que cresciam no canteiro da horta. Não lembro mais das palavras, entretanto minha mãe foi capaz de manter-me interessado. Continuei a observar aquele ninho. Certa manhã fui acordado mais cedo. Ainda sonolento fui levado até o galinheiro. Vi que alguns pintos já haviam quebrado os ovos e assisti a muitos outros se libertarem da casca. Para mim uma coisa deslumbrante! Hoje, passado mais de meio século, a experiência de criança vem à tona e me ensina. É que estou, junto com outros, cooperativamente, pretendendo "uma ninhada" de alterações e coisas novas. Elas estão no "chôco". A mim e a qualquer um que queira criar coisas novas, cabe então a paciência e o denodo em defender nossa "ninhada". Como ensina a natureza, precisamos passar pelo tempo de chôco.
 
|