![]() 19a. Semana de 2.000 Assisti uma assembléia anual de prestação de contas de uma entidade muito importante. Observei que os todos os rituais foram cumprido à risca, e que não havia nenhum indício que desabonasse a atuação da diretoria. Entretanto, a meu juízo, sentia que os relatórios não transpareciam nenhuma emoção. Eram insípidos, incolores, inodoros. Naquela mesma semana um prestigiado jornal de televisão inaugurou seu novo estúdio. Nele, numa determinada posição, a camera mostra um mapa-mundi e a mesa dos apresentadores. Tudo nos conformes. "Padrão global". Nalgumas tomadas, quando há mudanças do ponto de vista, a imagem -- aquele mapa -- se deforma e, algumas vezes, mostra o fundo do cenário, onde se nota o vai e vem dos redatores. Revela como se trabalha para que um noticiário possa ir ao ar. Como esses dois acontecimentos aconteceram no mesmo período, não pude deixar de associa-los. ... e fiquei me perguntando: Por que uma assembléia não indica as emoções vividas? Não revela os bastidores. Será que tem de ser sempre assim: sem calor e sem afeto? E se um dia eu tiver que conduzir alguma terei de ser obrigado a fazer da mesma forma? Como muitas outras coisas da vida só saberei quando viver a experiência.
 
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