![]() 17a. Semana de 1999 Era a segunda lua nova de peixes. Eu estava a beira mar na hora da maré alta. Fiquei observando o espetáculo e filosofando. O mar, com ondas cada vez mais altas, avançava sobre a praia. Logo atingiu as piscininhas e os castelos construídos pelas crianças. Pouco depois se apoderou da área onde os jovens jogavam futebol. Derrubou balizas, desfez marcações. Ato contínuo desalojou os adultos que, acomodados em suas cadeiras, descansavam. Por fim expulsou a todos, batendo nas bases da calçada. Já não havia mais praia. Se o espetáculo das ondas explodindo nas pedras chamou a atenção de quem morava a beira d'água, imaginem o espanto de um montanhês. No dia seguinte vi que a praia estava limpa e lisa como se ninguém, jamais, a tivesse tocado. Imaginei que as pessoas, como o mar, também deviam provocar, em si mesmas, uma violenta maré alta que limpasse os ressentimentos e alisasse as cicatrizes. Os jornais interessados em publicar as crônicas devem entrar em contato com fabiano@bh.pegasus.com.br. [ Mapa do Site ] [ Carlos FABIANO Braga ] |